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sábado, 6 de dezembro de 2008

José Rodrigues



Tocar as coisas da memória

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"É necessário resistir" Graça Morais


No Verão passado, Graça Morais não teve descanso. Refugiou-se no silêncio do seu ateliê de Trás-os-Montes e, de manhã à noite, trabalhou, concebendo um conjunto de pinturas e desenhos que corporizam, de novo, os corpos das mulheres da sua região e, principalmente, o rosto esguio, belo, da sua mãe, Alda, que simboliza, na obra da artista, a Terra.
Corresponde mesmo, segundo confidenciou a pintora nesta entrevista, ao "espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região".

O resultado deste intenso, quase obsessivo, diálogo entre Graça Morais, as telas, os papéis, os óleos e os pastéis é a exposição que inaugura hoje, às 18.30 horas, na Galeria do Jornal de Notícias, no Porto. São trabalhos recentes que proporcionam uma perspectiva rigorosa sobre a obra daquela que é considerada uma das maiores pintoras portuguesas, que garante que "é necessário resistir e insistir com coragem, porque vivo num país com um espaço físico mental e económico muito reduzido". A mostra está patente até 14 de Dezembro.


Em que consiste esta exposição? Que temas privilegia?
Esta exposição é constituida por oito telas a óleo e 23 desenhos sobre papel. Foram realizados no meu ateliê de Trás-os-Montes e resultam de uma reflexão sobre o quotidiano das pessoas que me rodeiam, associando imagens que recolho dos média com objectos e formas da natureza.
A mulher rural ainda surge como protagonista na sua obra. Porquê? Qual a mensagem?
Estes quadros são representações de rostos humanos, máscaras que pertencem ao mundo da montanha e que vivem numa luta diária com uma paisagem rude e harmoniosa.
A sua mãe é um dos seus modelos mais frequentes. Porquê?
A minha mãe simboliza a Terra. Sinto uma grande identificação com o seu rosto, espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região.
Cria, muitas vezes, uma espécie de metamorfose entre mulher e bichos, nomeadamente gafanhotos e pássaros. Qual a relação?
Neste lugar, cohabitam, numa profunda simbiose, animais e homens. A metamorfose entre a mulher e as formas animais é sempre o resultado da transformação da matéria, está associada à memória e ao tempo.
A sua linguagem mais fiel é o desenho ou a pintura? Com qual se sente melhor, ou seja, mais autêntica?
Sinto uma relação muito profunda e imediata com o desenho. Rabiscar é encontrar imagens, é encontrar-me num jogo de descoberta, de grandes surpresas.
Como surgem os temas no seu trabalho? A guerra e a violência já foram tratadas na sua obra. Tratou-as, essencialmente, como forma de denúncia?
Estou atenta a tudo o que se passa à minha volta, seja no meu pequeno mundo, seja no planeta que habitamos e a minha pintura resulta de imagens fragmentadas dessa realidade.
A sua relação com Trás-os-Montes mantém-se? É uma relação umbilical?
Pertenço a este lugar, que, desde a infância, me marcou profundamente. Aqui, aprendi a andar, a falar, a cantar, a rezar e as primeiras letras. Também aqui comecei a despertar para o desenho. Mantenho uma relação de grande identificação com este território geográfico e afectivo.
O silêncio, o recolhimento parecem ser muito importantes, talvez fundamentais, no seu momento de criação. Porquê?
É fundamental para mim trabalhar num ambiente de silêncio e absoluta concentração na minha pintura. Nesta fase da minha actividade criativa, ter tempo e silêncio são luxos pelos quais luto com persistência.
Ser mulher/artista em Portugal é complicado nos dias de hoje?
É complicado ser artista, seja mulher ou homem. É necessário resistir e insistir com coragem, porque vivo num país com um espaço físico mental e económico muito reduzido.
O que esteve na origem da criação do Centro de Arte Graça Morais, em Bragança? Está satisfeita com os resultados/adesão do público obtidos nos primeiros meses de existência?
O Centro de Arte Contemporânea recebeu o meu nome por proposta do presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, que foi aceite em Assembleia Municipal por unanimidade. Este centro dá resposta a uma política de desenvolvimento cultural sustentável, num projecto transfronteiriço entre as cidades de Bragança e de Zamora. O êxito de público e visitantes nacionais e estrangeiros ultrapassou as expectativas mais optimistas.
Que conselhos dá aos jovens criadores?
Não dou conselhos, sugiro que desenvolvam os seus talentos inatos com muito estudo e perseverança no trabalho.
A crise afecta a arte?
Qual crise? A dos valores éticos? Nas crises económicas do passado, desenvolveram-se interessantes perspectivas de mercado, sendo as obras de arte um valor seguro de investimento.
Em termos futuros, tem já alguns projectos de trabalho?
Não gosto de falar publicamente dos meus projectos antes da sua concretização.
Como encara a questão da morte? Tem medo de morrer?
A morte é inevitável, é uma senhora que não convido para jantar !


in JN

domingo, 21 de setembro de 2008

Balbina Mendes







Balbina Mendes nasceu em Malhadas, Miranda do Douro.

Desde tenra idade o chamamento para a pintura foi incontornável.

Na sua terra natal, enquanto brincava no campo, ia rabiscando com os dedos no chão poeirento e nele projectava já as formas pictóricas que os seus sonhos de menina timidamente acalentavam.

Mais tarde, enquanto cursava o Magistério, e sob a orientação da Professora Aninhas Miguel, foi afirmando já com clareza esta vocação, embora só em 1989 tenha arriscado expor publicamente os seus quadros, o que aconteceu numa exposição colectiva na cidade do Porto.
Acalentada pela crítica mediática e pelo sucesso das suas exposições, a pintura foi, aos poucos, exercendo um enorme domínio sobre os seus anseios de criatividade, elegendo as temáticas transmontanas e durienses como fonte prioritária de inspiração.



Exposições Individuais Miranda do Douro (Museu da Terra da Miranda) Vila Real (Galeria Átrio da Câmara Municipal) Vila Nova de Gaia (Posto de Turismo) Lisboa (Galeria da RTP) Lisboa (Galeria Exclusive – Carnaxide) Oeiras (Galeria Exclusive - Oeiras Park) Vimioso (inauguração da Galeria de Arte da Casa da Cultura por S. Ex.ª o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio) Vila Nova de Gaia (Biblioteca Municipal) Porto (Galeria da UNESCO) Braga (Biblioteca Pública da Universidade do Minho) Vila Real (Galeria da Biblioteca Central da UTAD) Moita (Biblioteca Municipal) Alijó (Centro Cultural) Chaves (Forte de São Francisco) Valpaços (Centro Cultural) Guimarães (Paço dos Duques de Bragança) Vila Nova de Gaia (Auditório Municipal) Bragança (Centro Cultural Paulo Quintela) Lamego (Espaço de Arte Municipal) Miranda do Douro (inauguração da Casa da Cultura por S. Ex.ª o Ministro das Cidades e Ambiente, Dr. Arlindo Cunha) Santa Marta de Penaguião (inauguração da Casa da Cultura por S. Ex.ª o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio) Viseu (Hotel Montebelo). Exposições Colectivas Cinquenta e duas exposições colectivas em: Maia, Porto, Santa Maria da Feira, Guimarães, Vila Nova de Gaia, Braga, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Miramar, Lisboa, Mirandela, Espinho, Alcanena, Queluz, Picote, Alfândega da Fé, Madrid. Notas Bibliográficas e Outras Mencionada no livro "Artes Plásticas Portugal, o Artista seu mercado" de Narciso Miranda. Mencionada no "Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses" (1.º Volume) de Barroso da Fonte. 1.º prémio, Primer Certamen Internacional de Pintura Rápida, Programa RIRRA.

Autora das capas dos romances "As Pequenas Coisas" e "Histórias Enluaradas" de Conceição Tomé.

Autora das capas da I e II edição do livro "A castanha saberes e sabores", de Jorge Lage. Autora da capa do livro "Bozes de l Praino", de Duarte Martins.

Autora da capa do livro “A Cultura do Trigo nos anos 50” de António Morais Machado. Sócia da Cooperativa Cultural "Artistas de Gaia".




domingo, 27 de julho de 2008

Camille Pissarro






Até há pouco tempo, quando se discutia a paternidade da pintura moderna, o consenso parecia apontar para um único nome: Paul Cézanne. Nas últimas décadas, no entanto, um número crescente de historiadores de arte começou a questionar este pressuposto, olhando antes para Camille Pissarro, amigo e mestre de Cézanne, como o verdadeiro precursor da revolução que transformaria radicalmente a pintura na última metade do século XIX. Jacob Camille Pissarro, de seu nome completo, era filho de Abraham (Frederic) Gabriel Pissarro, um judeu “marrano” português, transmontano de Bragança, que ainda criança (nos finais do século XVIII) emigrara com os pais para Bordéus, onde na altura existia uma comunidade significativa de judeus portugueses refugiados da Inquisição. Camille nasceu a 10 de Julho de 1830 em St. Thomas, nas Ilhas Virgens, para onde o pai se mudara anos antes para servir de executor do testamento de um tio.
Camille Pissarro era um personagem fascinante. Amigo e mestre de Degas, Cézanne e Gauguin, Camille Pissarro era visto pelos colegas como um “patriarca” – uma figura generosa, amável e profundamente fiel às suas amizades. “Pissarro foi como um pai para mim: era o homem a quem se pediam conselhos, era como le bon Dieu”, escreveu sobre ele Cézanne. Henri Matisse chamou-lhe “o Moisés da pintura contemporânea, aquele que nos dá a Lei”; Cézanne afirmaria categoricamente: “todos nós descendemos de Pissarro.”
Anarquista convicto, Camille Pissarro não era religioso em termos formais mas, mesmo assim, nunca dissimularia o judaísmo herdado dos seus antepassados portugueses. Pelo contrário, Pissarro orgulhava-se de ser judeu.
Durante o Caso Dreyfus – o paradigma do antisemitismo que dividiu a sociedade francesa dos finais do século XIX – Pissarro, ao mesmo tempo que combatia o ódio irracional contra os judeus, sentiria na pele o antisemitismo de alguns dos seus colegas, mesmo vindo de amigos, como Degas e Renoir. Nessa altura, alguns dos seus colegas mais próximos chegariam mesmo a por em causa a sua relação de amizade, temendo “ficar contaminados” por se associarem a um judeu. “Continuar com o israelita Pissarro é ficar manchado com revolução”, escreveu Renoir, com um antisemitismo tristemente típico da época.
Na última edição da revista Commentary, o crítico de arte Dana Gordon escreve um excelente artigo de cinco páginas intitulado Justice to Pissarro, onde defende que a paternidade da pintura moderna deve ser definitivamente atribuída, não a Cézanne, mas a Camille Pissarro, o pintor descendente de judeus sefarditas de Bragança.


Camille Pissarro, L’Ermitage à Pontoise, 1867.


Camille Pissarro, Vue de ma fenêtre, Eragny sur Epte, 1886-88.

http://ruadajudiaria.com/?m=200511





JOÃO TREMOCEIRO

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Graças Morais, a pintora

Graça Morais nasce a 17 de Março de 1948 em Vieiro, Trás-os-Montes, distrito de Bragança. É uma pintora transmontana.







quarta-feira, 29 de agosto de 2007