sábado, 17 de janeiro de 2009
Homenagem a Miguel Torga
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
"É necessário resistir" Graça Morais

Corresponde mesmo, segundo confidenciou a pintora nesta entrevista, ao "espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região".
Em que consiste esta exposição? Que temas privilegia?
Esta exposição é constituida por oito telas a óleo e 23 desenhos sobre papel. Foram realizados no meu ateliê de Trás-os-Montes e resultam de uma reflexão sobre o quotidiano das pessoas que me rodeiam, associando imagens que recolho dos média com objectos e formas da natureza.
A mulher rural ainda surge como protagonista na sua obra. Porquê? Qual a mensagem?
Estes quadros são representações de rostos humanos, máscaras que pertencem ao mundo da montanha e que vivem numa luta diária com uma paisagem rude e harmoniosa.
A sua mãe é um dos seus modelos mais frequentes. Porquê?
A minha mãe simboliza a Terra. Sinto uma grande identificação com o seu rosto, espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região.
Cria, muitas vezes, uma espécie de metamorfose entre mulher e bichos, nomeadamente gafanhotos e pássaros. Qual a relação?
Neste lugar, cohabitam, numa profunda simbiose, animais e homens. A metamorfose entre a mulher e as formas animais é sempre o resultado da transformação da matéria, está associada à memória e ao tempo.
A sua linguagem mais fiel é o desenho ou a pintura? Com qual se sente melhor, ou seja, mais autêntica?
Sinto uma relação muito profunda e imediata com o desenho. Rabiscar é encontrar imagens, é encontrar-me num jogo de descoberta, de grandes surpresas.
Como surgem os temas no seu trabalho? A guerra e a violência já foram tratadas na sua obra. Tratou-as, essencialmente, como forma de denúncia?
Estou atenta a tudo o que se passa à minha volta, seja no meu pequeno mundo, seja no planeta que habitamos e a minha pintura resulta de imagens fragmentadas dessa realidade.
A sua relação com Trás-os-Montes mantém-se? É uma relação umbilical?
Pertenço a este lugar, que, desde a infância, me marcou profundamente. Aqui, aprendi a andar, a falar, a cantar, a rezar e as primeiras letras. Também aqui comecei a despertar para o desenho. Mantenho uma relação de grande identificação com este território geográfico e afectivo.
O silêncio, o recolhimento parecem ser muito importantes, talvez fundamentais, no seu momento de criação. Porquê?
É fundamental para mim trabalhar num ambiente de silêncio e absoluta concentração na minha pintura. Nesta fase da minha actividade criativa, ter tempo e silêncio são luxos pelos quais luto com persistência.
Ser mulher/artista em Portugal é complicado nos dias de hoje?
É complicado ser artista, seja mulher ou homem. É necessário resistir e insistir com coragem, porque vivo num país com um espaço físico mental e económico muito reduzido.
O que esteve na origem da criação do Centro de Arte Graça Morais, em Bragança? Está satisfeita com os resultados/adesão do público obtidos nos primeiros meses de existência?
O Centro de Arte Contemporânea recebeu o meu nome por proposta do presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, que foi aceite em Assembleia Municipal por unanimidade. Este centro dá resposta a uma política de desenvolvimento cultural sustentável, num projecto transfronteiriço entre as cidades de Bragança e de Zamora. O êxito de público e visitantes nacionais e estrangeiros ultrapassou as expectativas mais optimistas.
Que conselhos dá aos jovens criadores?
Não dou conselhos, sugiro que desenvolvam os seus talentos inatos com muito estudo e perseverança no trabalho.
A crise afecta a arte?
Qual crise? A dos valores éticos? Nas crises económicas do passado, desenvolveram-se interessantes perspectivas de mercado, sendo as obras de arte um valor seguro de investimento.
Em termos futuros, tem já alguns projectos de trabalho?
Não gosto de falar publicamente dos meus projectos antes da sua concretização.
Como encara a questão da morte? Tem medo de morrer?
A morte é inevitável, é uma senhora que não convido para jantar !
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Trindade Coelho

Trindade Coelho
José Francisco Trindade Coelho nasceu em Mogadouro a 18 de Junho de 1861. Ficou órfão de mãe ainda e criança e partiu para o Porto com o pai onde fez os estudos liceais num colégio interno. Estudou Direito em Coimbra, onde iniciou a sua actividade literária, colaborando em diferentes periódicos e fundando outros.
Em 1895 era juiz em Lisboa. À carreira jurídica juntou, na altura, a actividade literária e jornalística, bem como uma importante actividade pedagógica. Nesta sequência, publicou, entre várias, o ABC do Povo (1901), livro adoptado oficialmente nas escolas públicas.
Em Os meus amores observa-se a recriação de gentes e lugares, motivada pela saudade. O próprio autor esclarece, em Autobiografia, que os contos não teriam existência se vivesse na sua terra.
A obra literária de Trindade Coelho revela a tendência de um certo neo-romantismo nacionalista e neogarretista.
Suicidou-se em Lisboa a 9 de Junho de 1908.
Algumas obras:
Os Meus Amores, 1891
A ABC do Povo, 1901
In Illo empore, 1902
O Primeiro Livro de Leitura, 1903
Manual Político do Cidadão Português, 1906
Autobiografia e Cartas, 1910
Os Meus Amores - contos de Trindade Coelhohttp://www.ficcoes.net/biblioteca_conto/os_meus_amores.htm;
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Natural de Mogadouro, a sua obra reflecte a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Fiel a um ideário republicano, dedicou-se a uma intensa actividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar o cidadão português para a democracia.
sábado, 17 de maio de 2008
FERNÃO DE MAGALHÃES

ALGUMAS NOTAS BIOGRÁFICAS.
Nasceu em Sabrosa, Trás-os-Montes.
O feito.
Está entre as maiores figuras de navegadores no período dos descobrimentos.
Concebeu, preparou e realizou, em parte, a mais extraordinária das viagens então efectuadas: a primeira circum-navegação do globo terrestre. A sua armada saiu de Sevilha, atravessou o Atlântico rumo a Ocidente, ligou este com o Pacífico, sempre para Ocidente percorreu todo o Índico, ligou-o ao Atlântico e, por fim, aportou novamente em Sevilha.
A sua viagem provou, irrefutavelmente, a esfericidade da Terra e que, na repartição dos Continentes, as águas ocupam maior espaço do que a terra firme.
O Combatente.
Nasceu em Sabrosa por volta de 1480, era fidalgo de segundo plano, filho de Pedro de Magalhães. Foi para Lisboa aos 12 anos, onde foi pajem da rainha D. Leonor, esposa de D. João II. Aos 25 anos estava na armada de D. Francisco de Almeida, na Índia. Esteve em Quiloa e Sofala com este vice-rei. Em 1509 foi para Malaca e Sumatra. Naquela cidade salvou a vida ao seu amigo Francisco Serrão. Em 1511 ajudou D. Afonso de Albuquerque na conquista de Malaca. Por esta altura tentou chegar às Ilhas Molucas, mas um naufrágio impediu-o. Melhor sorte teve o seu amigo Serrão que ali desembarcou. Trocou correspondência com ele e ficou a saber que naquelas ilhas as especiarias eram mais abundantes e mais baratas.
Em 1513 regressa ao reino e foi para África, para ajudar na conquista de Azamor.
Desencontro com D. Manuel I de Portugal.
Em 1514 regressa a Lisboa e pede a D. Manuel I um aumento na sua moradia, devido
aos serviços relevantes prestados à Pátria. O rei nega-lho, devido a intrigas de inimigos.
Na audiência que lhe concede, o monarca, no fim, não lhe deu a mão a beijar. Este gesto era a desobrigação de obediência e sinal de que poderia ir servir outro senhor. Foi para a cidade do Porto, em Março de 1516 e associou-se a Rui Faleiro, bacharel em artes.
O acordo com Carlos V de Castela.
Em 20 de Julho de 1517 chegou a Sevilha. Em Dezembro, ele e Faleiro vão ao encontro de Carlos V. Informou o monarca Castelhano que de acordo com as suas observações e conteúdos das cartas do seu amigo Francisco Serrão vindas das Molucas,
estas eram ricas em especiarias e estavam dentro do hemisfério Castelhano, tendo em conta o Tratado de Tordesilhas. Em 22 de Março de 1518 é feito, por escrito, o acordo e contrato da viagem, que se propunha realizar, em 74 artigos.
O rei português quando soube, tudo fez, incluindo chantagem e até autorização deu para o seu assassinato. Carlos V presenteou-o e ao amigo Faleiro, com a comenda de Santiago. Deu-lhes ainda o título de governadores de todas as terras que descobrissem e a vintena dos lucros futuros. Mandou armar 5 navios e os portugueses foram nomeados capitães da armada, com poderes ilimitados e o soldo anual de 96.000 maravedis.
A saída para a circum-navegação.
No cais, Fernão de Magalhães deixou um filho de 6 meses e a esposa grávida.
No dia 20 de Setembro de 1519 a armada partiu de Sevilha em direcção às Canárias. Passou por Cabo Verde e chegou ao Brasil em 13 de Dezembro desse ano.
A 10 de Janeiro de 1520 estava no rio da Prata. No mês de Março, após tremendas
tempestades, como os companheiros quisessem desistir, Magalhães fez-lhes um rude discurso com ameaças para os revoltosos.
O estreito de Magalhães.
A 2 de Abril nova revolta. Nesta, exercendo os direitos concedidos pelo rei Castelhano,
prendeu e matou o capitão do navio “Santo António”. Em Agosto perderam um dos 5 navios. Após várias desgraças, desorientações e desânimos, a armada no dia 28 de Novembro de 1520 saiu de um labirinto de canais e terminava o estreito de cem léguas a que a História deu o nome do seu descobridor.
O encontro com a morte.
Entraram agora no grande Oceano. O mar era grosso mas calmo e o português deu-lhe o nome de “Pacífico”. Magalhães sabia a latitude das Molucas. Tinha que subir. A fome era muita e já se comia o couro dos mastros. O escorbuto atacava a tripulação.
A 6 de Março de 1521 chegaram às Ilhas Marianas e ainda nesse mês às Filipinas. A 7 de Abril chegaram à Ilha de Mactan. O soberano, Humabon, acolheu bem a armada e até fez um pacto de sangue com Magalhães. Prometeu fazer aí uma feitoria.
O caminho para a Índia, procurado por Colombo, por Ocidente, estava descoberto por Magalhães. As Molucas estavam perto, era só uma questão de mais algum tempo.
O rei da Ilha de Mactan, quando nada o fizesse prever, negou-se a pagar um tributo e Magalhães viu nessa atitude um desprestígio para a sua autoridade. Resolveu ir até terra a fim de o castigar, tendo os seus companheiros ficado nas pequenas chalupas.
Em 27 de Abril de 1521 morria Fernão de Magalhães às mãos de uma multidão de indígenas. Os companheiros nada puderam fazer, não havia um que não estivesse ferido ou doente. Perante a impotência em socorrer o capitão, voltaram para as naus.
As Molucas. Regresso a Sevilha.
Não pôde regressar a Espanha pelo Cabo da Boa Esperança, a expedição continuou até às Molucas. Só uma nau,“Victória”, comandada por Sebastião del Cano, conseguiu voltar a Sevilha. O valor da sua carga excedeu, em muito, o custo de toda a armada.
Não houve vida mais terrível que a de Magalhães: combates, navegações longínquas, fugas, processos, naufrágios, assassínio frustrado, a morte às mãos dos bárbaros.
Deu a volta ao mundo, o que ninguém antes dele havia tentado.
Duas provas da naturalidade de Fernão de Magalhães:
1 - Existe um testamento feito pelo próprio, em Belém, num tabelião, a 17 de Dezembro
de 1504, antes da ida para a Índia com o vice-rei D. Francisco de Almeida. Nele diz que os seus únicos herdeiros eram a sua irmã, o marido e o filho destes, Luís Silva Telles.
Declara os bens: um vínculo, na casa da Pereira, de Sabrosa, comarca de Vila Real, e a sua quinta do Souto, junto desta vila e sobranceira ao Vale da Porca, com o encargo de 20 missas anuais, na igreja matriz de Sabrosa.
2 – Outro documento é um testamento feito por Francisco Silva Telles, filho de Luís Silva Telles, que declara estar com receio da ira do rei de Portugal, contra a sua família ( o monarca mandou picar o brasão da casa de Magalhães) e diz não querer que os seus descendentes, herdeiros da Casa da Pereira em Sabrosa, voltem a pôr armas ou outro brasão. Que fiquem para sempre rasas, as ditas armas, como estavam no momento, devido ao delito do seu tio, Fernão de Magalhães, se ter passado para Castela e desco-
berto novas terras , onde morreu. Diz ainda que as armas foram picadas no tempo da sua avó, D. Teresa de Magalhães, que por motivo de vergonha se mudou para o Maranhão onde fez o testamento, a 3 de Abril de 1580.
Sabe-se que quando os descendentes deste Francisco Silva Telles regressaram do Brasil foram viver para Fafe, não querendo habitar a casa da Pereira em Sabrosa. A vergonha de pertencer a uma família ingrata para o rei fê-los optar por ir viver para o Minho. Algum tempo depois a Casa da Pereira saiu do ramo familiar, por venda.
Esteve esta casa muito tempo desabitada o que provocou a sua ruína.
Na época da sua reconstrução a pedra com as armas picadas foi apeada. Servem hoje de cunhal num ângulo da casa, junto a uma varanda.
Prof. Martinho Matos
Bibliografia:
Freitas, Manuel Alcino Martins- Fernão de Magalhães, Min. Transmontana. Vila Real, 1980
Dicionário de História de Portugal - dirigido por Joel Serrão, vol. IV, Liv

Ex-Líbris de homenagem ao grande navegador Fernão de Magalhães (c. 1480-1521), desenhado, em 1985, pelo Prof. Béla Albert Petry (1902-1996), artista de origem Húngara, radicado nos E.U.A., para Dom Telmo de Bragança (1925-1985):
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Stuart de CARVALHAIS (1887-1961)
Perfeccionista, mas valorizando pouco o trabalho do ponto de vista expositivo ou de coleccionador, Stuart começa por participar em algumas mostras colectivas,
como as primeiras dos Humoristas em Lisboa (não integrando já as do Porto), a Exposição dos Humoristas Portugueses e Espanhóis (1920) e a Exposição de Artes Plásticas (1935), mas exporá individualmente, apenas em 1932. “Prémio Domingos Sequeira”, em 1949, manter-se-á figura isolada da denominada “primeira geração dos modernistas portugueses”. Não aderindo completamente à nova linguagem protagonizada por Almada ou Santa-Rita, faz antes a ponte com a caricatura herdeira de Bordalo Pinheiro, e nutrida na estada parisiense de 1912-1913 (onde vê obras de Corot, Seurat e Daumier), afirmando-se como cronista perspicaz e cirúrgico.
Republicano, não poupa porém a crítica a quem a merece e, em 1914, colabora no jornal satírico monárquico O Papagaio Real. Meio de sátira ao poder, a caricatura e a banda desenhada, que inicia em 1916 no suplemento humorístico de O Século com as “Aventuras do Quim e do Manecas”, permitem-lhe um retrato de época crítico das poses da burguesia mundana, às quais contrapõe tristezas e vilezas sociais, personificadas em tipos populares e miseráveis, cujo humanismo o seduz.
Os
anos 20 marcam o grande sucesso de Stuart. Em 1921, trabalha para o Diário de Lisboa e para o Batalha. Em 1922, desenha para o ABCzinho, reiterando o sucesso das suas peças nos suplementos infantis. Colabora ainda com A Corja, o Espectro, A Choldra e o Diário de Notícias, a revista Ilustração (a cuja fundação está ligado) e com o semanário humorístico Sempre Fixe. Como gráfico, soma encomendas: da ementa do Bristol Club, aos conjuntos de postais ilustrados realizados para a exposição de 1925 dos Mercados, ou à concepção da publicidade da Sassetti. É assim que, em meados da década, é o artista que contabiliza mais capas de livros e de pautas de música – trabalho gráfico em cuja investigação associa o desenho aos tipos de letra a usar e com o qual ganha dois prémios em concursos internacionais, em Itália e Espanha. Cenógrafo e figurinista de teatro (Teatro Nacional e Politeama), desenvolve actividade no cinema (em 1916, trabalha na adaptação a filme das Aventuras do Quim e do Manecas), passa pela aventura da realização (O Condenado, com Mário Huguin) e desdobra-se como actor, decorador, cenógrafo e gráfico.
Embora antifascista, como clarifica nos trabalhos da década de 30, não perseguirá nos anos seguintes a via do Neo-Realismo, onde poderia ter encontrado família artística, social e política. Os seus entraves à pintura, que admira mas não liberta da ilustração, mantêm-no circunscrito ao exercício do desenho para periódicos. Talvez também
por essa actividade constante, não se dividindo em décadas e expressões ou estilos balizados no tempo, a mestria de traço de Stuart, que lhe permite variar os registos, evidencia sobretudo o manifesto desejo de liberdade criativa, nutrido por enorme apetência experimental.
A sua própria vida, na qual o sucesso convive com o alcoolismo e a instabilidade financeira, leva-o à experimentação de materiais inesperados, não ortodoxos, como suportes ruinosos recuperados dos restos da cidade (papel de embrulho, tampas de caixotes), e até de alguns materiais de desenho, de que se destacam os fósforos queimados com que frequentemente traça composições. Profundo conhecedor do basfond lisboeta, fixa da capital um registo que cruza com o seu, servindo-o com resultados surpreendentes no uso da mancha (tantas vezes feita com café ou com vinho) e de texturas, na definição ou languidez da linha, nos ritmos do traço. Assim, elegante na ilustração, essencial na caricatura, cada personagem de Stuart detém, na representação, os conceitos que a ela estão associados. Negra e violenta, a miséria, como o vício ou a solidão, é caracterizada em traços rápidos e rugosos, gastos ou recortados, no
contraste de preto e branco.
Se a heterogeneidade do seu desenho dificulta a definição da obra por décadas, arrisquemos, como elemento de unificação, a revelação de uma Lisboa contraditória e viva, inteira, elegante por vezes, amarga outras mais. Como se vê em Guardado está o café para o quem o há-de pagar (1927, usado como ilustração no ano seguinte). No desenho está tudo: os contornos certeiros e rápidos definem uma figura feminina, recortando-a do vazio do fundo.
Na negrura do olhar e no desafio da pose cinematográfica, cosmopolita, erotizada, fica clara a afirmação do seu poder, logo negado pelo traço “raspado”, cuja parca incisão de negro, a prometer diluição, sublinha o silêncio, permitindo que se insinue a ironia sobre a solidão.
Fonte: EMÍLIA FERREIRA
Fundação Calouste Gulbenkian
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
domingo, 3 de junho de 2007
quinta-feira, 31 de maio de 2007
DIOGO CÃO

Não se sabe nada sobre a sua infância, nem da sua adolescência, os primeiros vestígios que sabemos da vida dele, são da sua juventude.
Entrou ao serviço da casa de D. Henrique, onde foi escudeiro e depois cavaleiro. A ligação dele ao infante tê-lo-á iniciado no conhecimento das coisas do mar, e a sua juventude foi dedicada às tarefas marítimas.
A sua primeira viagem deu-se em 1482, um ano depois de D. João II Ter subido ao trono.
O rei tinha como objectivo encontrar a passagem do Oceano Atlântico para o Índico. Diogo Cão comandava uma armada cujo objectivo era reconhecer a Costa Africana e tentar descobrir essa passagem que abria a possibilidade de ir á Índia por via marítima.
Diogo Cão levava mantimentos para uma longa viagem, numerosos artigos para serem oferecidos aos reis indígenas que encontrasse, e padrões de pedra que se empregariam pela ia vez, substituindo as antigas cruzes de madeira que marcavam as novas terras descobertas
A viagem para além do cabo de Santa Catarina (actual Zaire), foi feita junto à costa, processo que permitia o seu registo em mapas e minimizar os riscos de uma viagem em zona desconhecida. A medida que avançavam para sul cada vez havia mais correntes de água, denunciadoras da foz do Grande Rio( Rio Zaire) que os navegantes chamavam de rio poderoso.
A fins de Maio de 1483 de acordo com as instruções que o rei recebera, Diogo Cão escolheu alguns dos seus homens e enviou-os com alguns presentes como embaixadores ao rei do Congo. Entretanto a viagem prosseguia até ao início da costa do pais que hoje é chamado de Angola, tendo, junto a um cabo que fazia tamanha cavatura que Diogo Cão julgou ser a passagem para o Oceano Indico. Apressou-se a regressar, passando pelo rio Zaire para recolher a sua embaixada e trazer as notícias da sua descoberta ao rei. Não tendo encontrado os seus homens julgou terem sido mortos e embarcou alguns negros para mostrar a D. João II.
D. João II desejoso de manter relações com o rei do Congo envia Diogo Cão na 28 viagem, Diogo Cão foi bem recebido, trocou com eles presentes e o rei prometeu converter-se.
De seguida Diogo Cão embarcou para o Cabo de Sta Maria. Aí teve uma grande desilusão: ali não terminava a costa Africana.
Regressou a Portugal com essa má noticia e D. João II não o perdoou e nunca mais o chamou para outra missão.





